terça-feira, 31 de março de 2009

Fake Plastic Trees Vs. 2009

Três ou mais pessoas reunidas para um mesmo fim merecem sempre atenção! Não importa qual o objetivo comum, se voltado para o bem ou para o mal - ou para outro lado qualquer nesse mundo multi[?]polar - fato é que a medida que se faz algo de forma sociabilizada, a dimensão disso para o mundo se torna sempre maior.
Adendo: Duas pessoas não é necessariamente uma forma sociabiliazada de se fazer algo, até porque duas podem ser, muitas vezes, uma só =)

Essa é a primeira impressão do show do Radiohead (Chácara do Joquei - São Paulo - 22.02.2009): é impressionante o astral que se cria quando há 3 ou mais pessoas - no caso umas 30mil - juntas para ouvir aquilo que normalmente se escuta SOZINHO em casa. A cumplicidade que se cria é sensacional!!! É como se um olhasse pro outro e ficasse supreso: "meu, tu tb conhece essa música???". Coisa de sentir-se menos "Creep"... ou então, cercados de vários deles... hehehe

Sobre o show? Impecável! Set de primeiríssima... o entrosamento da Banda é algo sobrenatural - não dá pra saber como que aquelas músicas complexas e de construção tão detalhista saem das mãos daqueles 5 caras ali na hora... Tudo isso de um som com uma nitidez de um home theather + cenário/iluminação de palco queeeeee... falta o adjetivo, porque era realmente indescritível.

É verdade que faltou "No Surprises" [a "obra-prima da interseção entre o universo pop e o erudito dos anos 90" - numa definição... hummm.. minha mesmo - é uma música que merece um post próprio ;) ] mas alguns momentos foram totalmente fora do padrão: o início de "There, There" literalmente arrepiou, acho que eu nunca tinha sequer imaginado tanta "pegada" num show do Radiohead com a guitarra do Tom York cercada por dois tambores. Segunda música... o suficiente pra dizer que todo o stress pela (falta de) organização, cansaço e aperto para ficar perto do palco, tinha RE-AL-MEN-TE valido a pena.
Porque o ápice? Ora, acabou "Paranoid Android" e o público todo continuou com o coro hipnotizante de "raiiiinnnn downnnnn, rainnnn downnnnn.... come on raiiiinnnn downnnnnnn" e o Tom Yorke começa a improvisar uma segunda voz em cima.... sensacional! Pela gritaria ao fim, dava pra sentir que tava todo mundo realmente emocionado... e então eis que é emendada a maravilhosa "Fake Plastic". Se olhava em volta, não era um, dois ou três.... era um MAR de gente indo às lágrimas. Sério: momento único e inesquecível mesmo!

Estranho como as músicas se encaixam... o Radiohead é uma banda que rompeu com seu próprio estilo. "Ok Computer" [1997] é um marco, e algo que é absolutamente aceitável é se falar que, no show, houve a emenda do clássico mór da era pré-Ok com os clássico mór da era pós-Ok.
E foi SÓLIDA, CONSISTENTE E COERENTE!!!

Nessa hora que a gente vê que não se tratou de uma guinada de estilo, mas um aperfeiçoamento do mesmo... tiram-se os samplers, tira-se a psicodelia, tira-se todo experimentalismo da fase pós-Ok e o Radiohead continua a ser a banda das belas melodias melancólicas&angustiantes que era até "The Bends" [1995]. E essa lógica, agora no modo inverso, também funciona - colocam-se aqueles elementos nas belas melodias e, pronto: temos o Radiohead psicodelico, experimental, mas sempre, melancólico&angustiante.

E ai está o ponto em que eu queria chegar: por mais que goste e admire tudo o que esses caras fizeram de Ok Computer pra cá... e considere músicas como "Paranoid Android", "Everything In Its Right Place" e "15 Step" A-B-S-U-R-D-A-M-E-N-T-E boas... meu Radiohead preferido é aquele em que ele se torna, novamente, uma banda "clássica" com voz, violão, guitarras e bateria! Às vezes com um discreto teclado.

Logo, como não poderia deixar ser, "The Bends" é meu álbum preferido. E as músicas dos discos póstumos que mais gosto, são justamente as que remetem ao estilo "The Bends". Assim, não deixa de ser um pouco frustante saber que você vai no show de uma banda que você gosta tanto e não vai ouvir "High and Dry" - sua música preferida deles e tranquilamente umas das 20 melhores que já ouviu na vida... "The Bends"? Vai sair uma, no máximo duas músicas...

No problems, afinal o show continua demais! Entendo perfeitamente a opção artística da banda em executar coisas mais recentes e condizentes com o espírito atual dela - o problema aqui é eles não terem vindo uns 15 anos antes...

A propósito, isso me lembra uma frase do Robert Smith do The Cure que li há quase uns 10 anos... era algo do tipo: "pretendo acabar a banda em dois ou três anos porque não consigo me imaginar com 40 anos cantando 'Boys don't Cry' assim como fizeram e ainda fazem os Stones com 'Satisfacion'". Acidez e quebra de palavra à parte - porque a banda não acabou e provavelmente continuam tocando "Boys don't Cry" - dá pra entender a linha de pensamento...

Enfim... se teríamos pouca coisa da fase Pré-Ok... o que eles tocariam? Algo só para agradar o público?
Se também tinha essa finalidade, evidentemente não era a única... até porque o Radiohead sempre se lixou para o que se espera deles. A opção tinha, sem dúvidas, viés artístico!!!

E sobrou para qual música?Justamente "Fake Plastic Tree": talvez a baladinha mais lenta de "The Bends" e que foi totalmente adaptada para integrar um show condizente com a fase pós-OK!

A segunda parte da música executada, atualmente, É DE CAIR O QUEIXO.... você tem no centro Tom Yorke fazendo a voz e violão base... aquela tristeza das palavras sendo exprimidas pela voz MAIS melancólica do Rock no acompanhamento de uma batida de violão lenta e simples, rodeado por duas guitarras que simplesmente em NADA (!!!) - pelo menos, aparentemente - acompanham o que se desenrola no centro! Os instrumentos são totalmente "maltratados" pelos instrumentistas... como se quisessem tirar deles um grito agudo, um som cortante, um arranhão aos ouvidos. Fica clara a veia psicodélica e experimental do Radiohead tomando conta da música de "The Bends".

O resultado? PERFEITO!!! É como se as guitarras, "chorando&gritando" [?], potencializassem a dose de angústia que sai da balada cantada e tocada pelo Tom Yorke!!! A música fica mais linda do que nunca...

É só vendo para conferir:

A conclusão? A forma como vem sendo executada "Fake Plastic Trees" só comprova que do Radiohead não se pode falar em rompimento, não se pode falar em troca de estilo, nem se falar em "fases"... a ESSÊNCIA está toda ali, é exatamente a mesma!!! Desde o já longícuo 1993 com "Pablo Honey" até o último "In Raimbows". O que (trans)muda são os elementos satélites... algo extremamente necessário para, assim como aconteceu com os Beatles, quando, depois de algum tempo, analisando de fora, definir como uma OBRA!!!

domingo, 30 de novembro de 2008

Sobre a arte de fazer os outros melhores...

Acho que foi no [ótimo] blog do André Kfouri que eu li uma resposta brilhante dele pra um assuntinho que era moda na época da Olimpiada de Pequim: quem seria o melhor jogador de Basquete todos os tempos - Michael Jordan ou Kobe Briant?

Eu não entendo muito sobre - nem tenho acompanhado - basquete pra analisar o mérito da opinião dele [só marcando posição: eu continuo achando o Jordan incomparável], mas o legal mesmo foi o argumento que ele utilizou pra embasar a opinião.

Disse ele algo como "Difícil comparar. Mas enquanto o Kobe é um jogador sensacional por fazer tudo sozinho (estilo de jogo individualista), o Jordan jogava para equipe. E por jogar para a equipe, ele tinha o dom de transformar os seus companheiros em melhores jogadores do que realmente eram. Por tal razão, na comparação, o melhor seria o Jordan"

Show!

Eu adoro ler e escutar pessoas que conseguem mudar o foco de análise de determinado objeto através de uma resposta [transversa] para uma pergunta.
Aquele negócio de surpreender quem pergunta dando uma resposta com a qual ele não contava [Sim! A grande maioria das perguntas são feitas já se tendo uma expectativa sobre o teor da resposta].
Trocando em míudos: eu adoro quem não é óbvio. hehehe

Mas voltando ao assunto... eu resgatei essa historinha aqui pra falar de algo absolutamente nada haver com ela [?].

Na real, é pra mostrar o que é capaz de se fazer quando se sabe utilizar bem uma câmera.

Nome do cara: Patrick Daughters!

Parece que quando começou a trabalhar com a Feist, até então ele só havia dirigido comerciais. Com ela, fez a direção de alguns videoclipes (em um deles, inclusive, tem um com uma sacada visual com esteiras bem legal), mas aqui fez algo simplesmente genial....

Reunião de uma música meia-boca, uma coreografia meio bizonha, poucos dólares para produção e uma IDÉIA BRILHANTE, tudo em ú-ni-co um take... pronto: temos uma pequena obra de arte!


É absurdamente legal O caminho que a câmera percorre... o clipe desperta interesse logo no começo, mas de repente, a partir do momento que a câmera vai ao alto, fica simplesmente de cair o queixo. A fechada de foco na Feist com o povo se escondendo atrás dela [já li em algum lugar que não foi obra de edição] dá um ar de simplicidade tão grande para o que acabou de se ver, que chega até à incomodar: "Putz... isso aí é mesmo muito... mas muuuuuito bom... ou sou eu que tou ficando louco?"

Eu fico imaginando o que pensa um executivo de gravadora que investe milhões de dólares para que algumas bandas façam videoclipes (a grande maioria bizarros) ao ver algo assim. Simples, barato e despretencioso.

Como o Jordan fazia com o Bulls, na visão do André Kfouri, o Patrick Daughters faz no clipe de "1,2,3,4" (album The Reminder, 2007) : transforma a Feist e o grupo de dança em algo melhor do que eles realmente são.

A música não é propriamente aquela que você tem no seu player e está sempre disposto a escutar... e imagine estar sentado diante de um palco olhando aquela coreografia (ou correria - como preferir). Como se pode ver, o jogo de câmera e luz faz TODA a diferença.

E ainda tem gente que acredita que a função do videoclipe é funcionar como meio de divulgação da música. É quase como pensar que a adaptação de um livro para o cinema seria para divulgar o livro.
Pois o Patrick Daughters provou que dá pra fazer do videoclipe uma arte autônoma... talvez uma arte menor [?] como tudo que envolve a cultura pop, contudo mais essêncial para nosso bem-estar do que muitas artes ditas maiores...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

"CARACA! Como foi que ele fez isso?"

Ok!
Pré-Olimpíada... melhor encher agora a bola de quem chega como astro em Pequim do que aguardar o resultado final e dai ter que escrever algo assim enquanto a mídia brada na mais alta voz a DECEPÇÃO [!?!?] que foi o cara! (Coitado de quem eu vou falar agora se voltar de novo "só" com 6 ouros pra casa - os 8 é o mínimo que tão exigindo pra ter o passe-livre na volta)

Mas antes de qualquer coisa, é preciso firmar alguns conceitos sobre como qualificar alguém como "O CARA".

Eu costumo dividir os esportes em dois grupos: de um lado, os do improviso. Do outro lado, os científicos.

Explico: há esportes que você sabe exatamente o que vai ver. Talvez você não, mas o atleta e o técnico dele sabem. Inclusive o resultado é uma previsão quase certa. Só falha se acontecer algo realmente fora do previsto (desde de uma escorregada até uma dor de barriga). É o caso, por exemplo, do atletismo e da ginástica olimpica.

Do outro lado, estão os esportes de improviso. Aqueles em que através de um lance, uma jogada, pode realmente se fugir do padrão esperado. Para caracterizar o talento, conta também a criatividade... o famoso "se vira nos 30". Há possibilidade de se produzir uma imagem nova. O resultado deixa de ser tão previsível. É assim com o Tennis, com o Basquete...

(E nisso o Futebol transcede um pouco o que se entende por esporte... já que além de tudo isso, é o único esporte onde há uma possibilidade realmente considerável do melhor não vencer... é isso não será mera obra do acaso.)

Acompanhar o segundo grupo, ao que parece, é sempre algo emocionante. O esporte deixa de ser frio e de meramente importar o resultado... o contexto em que o resultado é formado muitas vezes deixa este em segundo plano, já que é possível acontecer nuances que dão "algo mais" pra aquilo tudo.

Ou vai dizer que uma rebatida sen-sa-si-o-nal como essa não paga por si o ingresso?
E uma estourada de tabela? Alguém vendo isso, se importa na hora qual foi o resultado?
Um "simples" drible não marca mais do que o placar do jogo?

Pois então... a coisa mais legal é você estar vendo um jogo ou prova... e de repente levantar e soltar um "CARACA!!!! COMO QUE ELE FEZ ISSO???". Sem dúvida um momento desses, na maioria das vezes, vale até mais do que a satisfação de um resultado favorável para aquele que você torcia.

E é aí que entra o Michael Phelps...

Natação é um esporte símbolo daquele 1º grupo. Você olhando a escalação de uma final, sabe-se de antemão onde cada um pode chegar. Sabe também de antemão, a técnica que cada um vai utilizar. Sabe de antemão, como vai se desenvolver a prova. Enfim, você sabe o que vai ver...

Quando isso não acontece, é muito mais por uma falha do nadador em questão do que por uma virtude de outro. Há um nível na natação competitiva, em que surpresas não mais acontecem. Não é por outra razão que VER competição de natação chega a ser chato e massante... às vezes até mesmo para quem é "do meio".

Só que dai aparece um fenômemo...

Tá... eu O-D-E-I-O essa história de fenômeno. Pra mim, baixar um tempo de uma prova em natação hoje em dia é sim uma questão de mistura fatores genéticos (biotipo), treinamento, dedicação, uma certa dose de talento e utilização de toda a tecnologia que fez evoluir o esporte, desde o treinamento, passando pela alimentação, até o próprio equipamento de competição.

Tempos são baixados... e continuarão sendo baixados pela evolução natural do esporte. Não por "fenômenos".

Mas o Phelps pode ser considerado um fenômeno não pelos tempos (claro que pros padrões, tais tempos são fenomenais sim - e fora isso, eu tenho pelo menos mais uns 3 motivos para considerar o Phelps o melhor nadador de todos os tempos), mas sim pela capacidade de fazer quem tá assistindo se emocionar.

É sério... natação é aquele esporte em que só tem sentido você assistir uma prova para ver seu final. Importa ver quem vai bater na frente e qual tempo ele marcou, o resto da prova é simplesmente o resto.
Quer dizer.... até acontecer o tal "nuance" que faz você levantar e soltar o tal "CARACA!!!! C........".

Vamos lá:

Ator: Michael Phelps
Contexto: Mundial de natação de Melbourne/2007
Prova: Final dos 400m medley



Descrição:

400m medley é uma das provas mais difícies da natação. Abre com o estilo mais pesado de se nadar, que é o Borboleta. E depois de 100m, tem mais 2 piscinas olimpicas de Costas e mais 2 de peito. Só quem já nadou, sabe o que é se fazer uma "filipina" (aquele movimento submerso) na virada do Estilo Peito numa prova dessas. É geralmente gastar o resto de folêgo - incluindo o oxigênio que está segurando os músculos - que se tem. Os últimos 100m de crawl, é muito mais raça do que técnica.

E ai que é que está a diferença de um nadador de ponta (geralmente expcional nadador), para o que aquele que se imagina ser um extraterrestre.
Primeiro, porque o extrarrestre mostra que ele não é desse planeta logo na hora em que sai da água na virada do peito para o crawl. A diferença aberta para o 2º colocado nesse movimento é absurda.
Segundo que o extrarrestre não só confirma a tese, como deixa claro que ele provavelmente veio de Cripton e deve ser irmão do Superman - na última virada da prova... a dos 350m!

É justamente essa a hora do "CARACA!!!! O QUE É ISSO MEU DEUS???"
Ninguém... repito: N - I - N - G - U - É - M pode ser capaz de nadar 350m pra baixo do próprio recorde mundial... chegar na última virada e:
5 SEGUNDOS SUBMERSOS
7 GOLFADAS SUBMERSAS
12 METROS PERCORRIDOS ATÉ EMERGIR!!!
Pois é... ninguém desse planeta...
Porque do Planeta que veio o Phelps, já ficou provado que há.

Foi mesmo de escorrer lágrimas, assim como tão bem descreveu o comentarista do sportv na hora da prova... Ou então exclamar um "SUPERMAN", como fez o narrador americano em outra versão do vídeo que já vi no youtube. Só de escutar o povo no ginásio da piscina gritando (seria um CARACA?) [?] já é de arrepiar!

Depois desse momento... ter saído um corpo a frente da linha do próprio recorde mundial foi mero detalhe! Ficou a imagem, ficou o momento... o resto foi mera consequencia!

sábado, 31 de maio de 2008

Sobre Tennis, Idolos & Chaveiros...

Suponha que você esteja diante da porta de um chalé de hotel 5... não! 6 estrelas:
vista para o mar de uma praia paradisíaca. Tudo do bom e do melhor. Pedaço do paraíso em terra...

O destino quis que você ficasse com aquele chalé! Você merece estar ali! Tem talento pra isso... existem motivos.
Aquele ali é o SEU LUGAR!!!

Só que a porta esta fechada...e lá dentro está alguém cuja missão é tornar acessível a chave apenas para quem o destino tenha apontado como o dono do chalé. A tarefa dele, no caso, é abrir o chalé para você!
Sabe Matrix Reloaded?




Então... você é predestinado e ele é o chaveiro!

Sacou?

Mas há uma diferença: o chaveiro daqui, não sabe previamente que você é o predestinado.

Como não adianta ficar parado, que ele não vai abrir a porta, lhe restam duas formas para entrar: Pode tocar a campainha, aguardar a boa vontade do "chaveiro" em se levantar, se dirigir até a porta e soltar um "quem é?".

Após você se identificar e apresentar suas boas razões para entrar, inevitavelmente ele fará um juízo de valor se abre ou não. Levando em conta a sua boa-educação em tocar a campanhia e aguardar pacientemente, conjugando com o "curriculo" que você alega tar na identificação, há uma boa chance de você ser aceito a entrar.
Claro... se isso for conveniente para o chaveiro (talvez para se livrar do karma - ou empreguinho chato, como queira - de esperar o predestinado) e se você estiver disposto a aceitar certas condições que ele te imponha (afinal, porque não para ficar com aquele lugar?)!

A outra forma?Ah... tá fechada? Pare, respire, faça uma cara de "saco-cheio" e sem pensar mto: ENFIE O PÉ NA PORTA!Passinho pra dentro...

Ok! Você entrou... sem precisar esperar qualquer avaliação se você é ou não o cara que merece! Afinal, o próprio destino que te escolheu pra ficar com o chalé, e não é o BABACA do chaveiro que vai te impedir ou impor condições. Você já deu a enteder que aquilo ali é seu só pelo fato de entrar sem que ninguém precisasse abrir a porta.

Fato é que, por uma forma ou por outra, você está dentro.
Diferenças?
No primeiro caso, há o chaveiro com uma puta boa vontade de que você comprove ter todo o talento que alegou ter para estar ali no chalé. Ele te dá tempo pra provar... você ganha mais segurança para estar ali. Só que depende do chaveiro... afinal, você entrou PORQUE ELE QUIS e está submetido, por isso, às CONDIÇÕES QUE ELE QUIS.

Na outra hipótese, corre o risco dele te botar pra correr. Mas, desconfiando que você não está ali por acaso (afinal, não é qualquer um que enfia o pé na porta)... mais a conveniência dele poder tirar pelo menos umas férias daquele empreguinho, pode mto bem rolar um diálogo mais ou menos assim:
- Ok! Deixo você ficar se for me mostrando que ter arrombado a porta e exigido seu lugar não foi apenas um surto de talento.
- Esse lugar é meu... óbvio que tenho talento pra ficar, senão não teria sequer entrado sem pedir.-
- ...vais ter que me provar isso sempre. Ah... e as condições são as seguintes [...]
- Que condições? Tá maluco? Esse lugar me cabe por força do destino... nao é você que pode condicionar!
[momento de silêncio]
- Tá bom, você fica... mas vou ser impaciente: primeira pisada de bola que me faça julgar que você não é o predestinado, te coloco pra fora na hora!
- Não precisei de força nenhuma sua para entrar... não preciso para continuar.


Mais uma vez em qualquer uma das duas hipóteses, há de chegar a hora em que o chaveiro se convença que realmente você é o predestinado ou, do contrário, que não é.

Convencido, ele se aposenta.
Você comprovou que o chalé é seu independentemente dele querer ou não.
Não se convencenso, ele TE aposenta.
Depois de te festejar o suficiente (possibilitando uma férias para ele - o chaveiro), te manda passear e fica à espera de outro que chegue se afirmando dono do chalé.

Pegou a historinha? Então trasporta ela agora...
Substitui:
O chalé vira a CONDIÇÃO DE ÍDOLO;
O chaveiro vira a "GRANDE" IMPRENSA e, por tabela, a OPINIÃO PÚBLICA;
A aposentadoria do chaveiro vira a ENTRADA PARA A HISTÓRIA.

Vamos exemplificar com dois personagens do domingo da última semana:
Na hipótese do "tocar a campainha" você tem um Felipe Massa.
Entrou no chalé com o prévio aval do chaveiro.
Mesmo assim, não mole é convencer o chaveiro de que não precisa mais dele para se afirmar como o predestinado dono do chalé.
Tem tempo... tem crédito... tem uma boa dose de talento para demonstrar que aquele lugar lhe cabe. Mas o chaveiro tá te usando para pegar umas "férias"... aproveitando que o cara tá ali pra não precisar ficar à espera do predestinado. Corre o risco dele enjoar do ócio, deixando então a situação de ser conveniente para ele.
Assim, pode muito bem te colocar para fora do chalé. Fez isso com o antecessor Rubinho Barrichelo...

É verdade que ambos entraram no chalé mais por força do próprio chaveiro do que por vontade própria, mas o fato é que usufruem do lugar se esbanjando com tudo de bom que ele oferece.

Mas há uma venda da alma para o chaveiro para estar onde estão... aceitam suas condições: "Se comportem assim", "Estejam sempre disponíveis", "Respondam isso", "entrevista aqui", "participação especial acolá"

Do outro lado imagina o Guga Kuerten... (ufa! achei que nunca ia conseguir chegar aqui)

Na história do esporte brasileiro, sem dúvida o maior "PÉ NA PORTA" que eu já vi! Aliás, um dos maiores do mundo...
O pobre do chaveiro só foi se dar conta que ele existia quando a porta já tinha voado longe... quando viu, o cara já tava jogado no sofá da sala!

Não construiu carreira aos olhos da imprensa e do grande público.A gente nunca precisou ouvir uma chamada irritante tal qual "vai começar a temporada de Tennis... vamos torcer pelos brasileiros" esperando (ou até torcendo) que um dia, quem sabe, a tal torcida desse certo.

O cara simplesmente apareceu pro mundo ganhando Roland Garros! Apareceu JÁ DANDO certo. De ilustre desconhecido, assumiu a condição de ídolo instântaneo....
Um ídolo que não foi construído... ele entrou no chalé sem pedir licença pro chaveiro. Não precisou que o chaveiro movesse uma palha (ok!: ou virasse uma chavedo ) para assumir seu lugar.
Assim, não deveu nada pro chaveiro... Inverteu as posições: não era ele que precisava do chaveiro, mas este que precisava dele!

E isso que faz do Guga, muito mais do que um dos maiores jogadores de saibro da história - dono do talvez mais memorável backhand - mas sim um símbolo do que se deve ter como ídolo numa era em que eles são fabricados por atacado e, em 99% dos casos, com prazo de validade: ser o melhor, mas sem deixar de ser ELE MESMO.

Não precisou se submeter às condições do chaveiro para permanecer no chalé. Não só entrou, como permaneceu ali por conta própria. Aquilo que a gente vê na TV é autêntico. Aquele Guga é simplesmente ele mesmo! É o que ele é! Não é uma imagem feita pela impresa... não é uma imagem construída pelo Guga à pedido/mando da imprensa. Ele era assim quando apareceu pro mundo, e assim permaneceu durante esses 11 anos que esteve no centro do palco...
Até por isso, talvez não tenha sido uma unâminidade... e o próprio reconhecimento tenha ficado aquém do que realmente deveria ser. Talvez não exista compreensão do que exatamente ele representa!

Mas pra ele é indiferente... chegou onde chegou sozinho, e não precisa da unâminidade para que, à luz dos fatos, se reconheça que o feito é sensacional!
É preciso lembrar que uma coisa é surgir um Nadal na Espanha, entre os outros tantos top's no saibro que eles produzem... outra bem diferente é surgir um bom tenista no Brasil, onde literalmete o cara tem que se fazer surgir sozinho. Que dirá então surgir alguém que algum dia passe da condição de ídolo à... MITO!
O fato é que nesse domingo - 25 de maio de 2008 - não foi nem o Guga, nem o chaveiro que se aposentaram... FOI O MANEZINHO QUEM APOSENTOU O CHAVEIRO!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

O fundo é ainda mais embaixo...

Notinha no jornal:

"A polícia montou operação com 122 homens das polícias civil e militar, com armamentos pesados e atiradores de elite no alto dos prédios vizinhos [...]. O Grupo de Operações Especiais destacou 70 homens - 11 deles vigiaram a entrada do edifício. De cima de prédios próximos, policiais observaram a movimentação.A calçada do prédio e parte da rua em frente ficaram restritas aos policiais e aos carros que precisassem entrar ou sair das garagens. Foram montados dois bloqueios na rua do prédio, um 60 meros à direita do edifício e outro 60 metros à esquerda."

Responda rápido... ao que se refere?

a) Sequetro de 700 pessoas por Grupo Terrorista Checheno no Teatro de Moscou (0ut/2002)
b) Carro-bomba detonado no subterrâneo do WTC em 1993?
c) Atentado na Estação de Metro de Madrid em 2004?
d) Caminhão-bomba jogado contra a sede da ONU em Bagda em 2003?
e) Eu li algo assim essa semana, mas não tou lembrando o que de tão grave aconteceu pra isso tudo...

Difícil?
Ou a resposta tá na cara, mas parece ao mesmo tempo totalmente incoerente?

Pois é... essa notinha tá na "A Notícia" de hoje... e trata - PASMEM!!! - da RECONSTITUIÇÃO realizada pela perícia da polícia da morte de uma menina, que teria sido atirada de um prédico, cujos suspeitos são o pai e a madrasta.

Ok! Eu pesquisei (ahã! negócio já é link na wikipédia) só pra não falar bobagem e podem ficar tranquilos:

Não! O pai não é um mega-líder político;
A madrasta não é uma popstar nem mesmo uma celebridade do show business;
e não... a menina não era - pelo menos aparentemente - a reencarnação do Buda!

Pra que então postar isso aqui?

Só pra lembrar que quando você acha que já viu tudo em matéria de reality show NO SENSE feat. cobertura pseudo-jornalística, não se engane: SEMPRE SE DÁ UM JEITO DE ARRANJAR UMA RETROESCAVADEIRA PRA AFUNDAR AINDA MAIS O POÇO!!!

sábado, 19 de janeiro de 2008

Top 10 "Momento Machão" no Cinema

"Caraca! Esse é O CARA"

Tem aquelas horas que não há como não se admitir que um cara é casca grosa... Coisa de MATAR A COBRA E MOSTRAR O PAU!!! [???] [eu ainda pretendo algum dia entender a lógica dessa expressão]

Encarar... meter medo... mostrar-se fodão!
Enfim: mostrar que é QUE É MACHO PRA CAR*LH*!!!

Claro... coisa de cinema, porque na vida real é tudo geralmente mais marketing do propriamente personalidade.

Ficando na ficção, segue um TOP TEN não dos caras mais FODÕES do cinema (até porque não há como montar uma lista de 10 no mesmo patamar do Chuky Norris e do Capitão Nascimento, obviamente), mas sim dos dez momentos em que algum personagem mais precisou se mostrar macho para fazer o que fez:

10 - INDIANA JONES & a luta na ponte
("Indiana Jones e o Tempo da Perdição" - Steven Spielberg, 1984)


É O CARA né?
Sabe aquela música do Raul "Eu nasci há 10mil anos atrás"?
Então... quase ele:
Já viu ser aberta a Arca de Moisés com os 10 mandamentos... Já bebeu no Graal...

Mas a "sequência final" desse filme (as aspas porque é uma sequência final de mais ou menos uma meia hora) é sensacional:
a) Tem que liquidar um cara com o quadruplo do tamanho dele
b) Libertar crianças-escravas de uma mina de pedras preciosas
c) Fugir da tal mina por meio de um carrinho em uma perseguição histórica no cinema
d) Detonar uma dezena de seguidores de uma seita satânica no meio da mata
...como se isso não bastasse...
e) Lutar numa ponte pensil contra um cara cujo principal golpe consiste em arrancar o coração das pessoas (!!!)
[Tudo isso com a trilha sonora clássica do John Williams ao fundo]

Não achei a cena no youtube (só algumas montagens que dão mais ou menos a idéia do que é), mas é uma das sequencias mais legais que lembro do cinema... e o que prova o quanto o Spielberg não só é muito bom, mas MUITO bom cineasta mesmo... como também extremamente versátil: não é qualquer um que mexe assim com cenas de ação e em seguida vai filmar ET!

9 - ZÉ PEQUENO & seu cartão de visitas
("Cidade de Deus" - Fernando Meirelles, 2002)

O cara voltar de uma consulta ao pai de santo botando moral com uma frase célebre dessa?

Sem comentários!!!


8 - TYLER DURDEN & as regras do clube
("Clube da Luta" - David Ficher, 1999)

The first rule of Fight Club is - you do not talk about Fight Club.

The second rule of Fight Club is - you DO NOT talk about Fight Club!!!!
Ainda têm mais seis... mas precisa mais pra impor respeito???

5 -HOMER SIMPSON & o Spider-Pig
(Os Simpsons, O Filme - David Silverman, 2007)

Quer algo mais macho do que ter um porco de animal de estimação???
Ora... pra quem já viu o Brick Top falando sobre porcos em Snatch (Guy Ritchie, 2000) sabe muito bem que pra isso, o cara precisa ser FODA!!!

Adicione-se a tal receita brincar com o porco dentro de casa fingindo que ele é o homem-aranha, (ou o Porco-Aranha, como preferir), com direito a adaptação do jingle do desenho e tudo.
E mais: Tudo na frente da sua mulher!!!!
Nem Chuky Norris???

6 - VICENT VEGA & como aplicar ampola de adrenalina em uma lição
("Pulp Fiction" - Quentin Tarantino, 1994)

Não tem como faltar o Tarantino quando assunto é um personagem se mostrando fodão!!!

Aliás, o momento MAIS "sou mto macho" dos filmes dele pra mim é justamente protagonizado por uma mulher: o que é a Uma Thurmann sendo enterrada viva em Kill Bill II? Com certeza a cena mais claustrofóbica que eu já vi na minha vida (e que por merecer um post próprio uma hora dessas, fica fora da disputa agora)! Se não bastasse isso, ela quebra o caixão à socos, se desenterra e entra numa lanchonete pedindo um copo d'água como se não tivesse acontecido nada!!! Quer algo MAIS macho que isso?

Aqui ficamos com o Travolta, muito bem orientado [?] por um Trafica, aplicando (ou aprendendo empiricamente... ou ainda só presumindo como se faz a tal aplicação) uma injeção de adrenalina na Uma, vítima de uma overdose de pó ao som de "Girl... pãrã pã pã... you be a woman, son".

Detalhe: DIRETAÇA NO CORAÇÃO!!! Sem vacilar e mto menos sem tremer... tá achando que é mole?


5 - Ten. Cel. BILL KILGORE & como acordar de bom humor
("Apocalypse Now" - Francis Ford Copolla, 1979)

Sabe aquele povo irritante [?] que acorda de bom humor?
É praticamente o caso do personagem do Robert Duvall em Apocalypse Now...

Completamente compreensível: como não acordar de bom humor em pleno Vietnã, tendo de aguentar recrutas medrosos, sendo rodeado por helicópteros, baterias anti-aéreas e debaixo de um bombardeio!
É só relaxar e aproveitar o momento... e claro, substituir o clássico "Bom Dia Sol" por um singelo "I LOVE THE SMELL OF NAPALM IN THE MORNIG", simples assim!

Aff.... e tem gente que ainda acha que o Capitão Nascimento que é casca grossa!

4 - LUKE SKYWALKER & não ter noção de com quem tá mexendo
(Star Wars, O Império Contra Ataca - George Lucas, 1980)

Eu não sou nem um pouco Star Wars-maníaco...
E nunca achei o Luke um símbolo de herói... Aliás, dentro do próprio Star Wars eu acho o Han Solon do Harrison Ford muito mais foda que ele (e mais foda que ambos, sem dúvida, é o Chewbacca - mas tá, vou continuar tentando não fugir do tema).

O fato é que quem faz o herói é o contexto, e nesse ponto é o que Luke está no lugar certo, na hora certa (ou não): o cara simplesmente tem que enfrentar o maior VILÃO (ou seria o Dr. Hannibal Lecter - eu me pergunto isso sempre) da história do cinema - LORD DARTH VADER!

Provavelmente "O Império Contra Ataca" não foi o primeiro filme que vi na vida... mas eu me lembro como se fosse hoje (eu devia ter na época que vi numa sessão da Globo uns 6 ou 7 anos) o Vader cortando a mão do Skywalker... fiquei sem dormir alguns dias com aquilo na cabeça.

[Aliás, me ocorrreu agora: será que ter como lembrança mais antiga logo o filme em que o Império sai por cima tem alguma consequência traumático-influenciante que explique eu quase sempre achar os vilões mais legais que os heróis? - talvez esteja aí parte da explicação]
[?]

E quando, agora mais velho, vi o filme novamente, fiquei impressionado com a cena dele matando um oficial do império sem sequer tocar nele falando calmamente: "a sua falta de fé me pertuba!!!"

Cara... assustador!!! Ver o Vader hoje até hoje é de tremer (ainda mais quando ele com a voz dublada em português) [?]!

A propósito, o cara é tão foda, mas tão foda... que o George Lucas teve que fazer uma nova triologia a fim de fazer do Vader o protagonista da saga completa. Se pelos primeiros 3 filmes parecia se tratar da história do Luke, os 3 seguintes mostraram na verdade que se contava a história do vilão... o que dá ainda mais envergadura pra ele!

E dai o destino roteirístico do Luke foi justamente ser o antagonista em relação ao protagonista-Vader! E se viu, ainda em fase de aprendizado, cara-a-cara com com ele....
Obviamente levou um verdadeiro pau: apanhou, foi humilhado, perdeu uma mão e depois ainda ficou sabendo só não tava sendo morto porque era filho dele...
Mas só o fato de ter encarado o Lord Vader, já dignifica como "macho pra cacete" aquele loirinho franzino que, enquanto herói, parecia que ia afundar a triologia...

Hora do Top 3? Bora então... os 3 momentos "mais macho" do cinema:

3 - JOHN MAcCLANE & brincadeira (não) tem hora
(Duro de Matar - John MacTiernan, 1988)

Os filmes da franquia "Duro de Matar" podiam ser considerados só mais alguns das dezenas que são decendentes da "fórmula James Bond" de se fazer filmes de ação despretenciosos... aqueles que não te acrescentam nada mas que adoro como "sessão pipoca".

Mas tem algo que o torna diferente: além de fazer tudo que um herói de filme de ação faz, o John MacClane do Bruce Willys se ferra o filme todo, sente dor, faz uma porrada de bobagem, tem vários problemas pessoais típicos de pobres mortais... e, o melhor de tudo, tem um mal-humor-bem-humorado TO-TAL-MEN-TE sarcástico... fazendo humor negro com tudo, na maioria das vezes com a prória desgraça!

E isso faz os filmes da franquia acima da média (aliás, o quesito humor negro é de certa forma até copiado pelo Ethan Hunt do "Missão Impossível", o que faz dele um James Bond muito melhor acabado pros anos 90-00).

Eu não vi ainda o "Duro de Matar 4.0", mas posso afirmar que o primeiro e segundo da triologia estão muito além da média dos filmes de ação. Exemplo mais que típico da fórmula de filme+herói(anti-herói, de certa forma) está nessa cena MTO MACHO do Duro de Matar I:

Contexto: Arranha Céu cheio de terroristas na véspera de natal... vários reféns, esposa do John MacClane entre eles. MacClane vai parar no prédio completamente por um acaso da vida. Obviamente vai ter que acabar com os terroristas - de preferência explodindo o prédio por completo - pra salvar o natal de todo mundo.

Pré-ação: Chefão dos terrorista manda um alemão gigante procurar MacClane no prédio. O cara vai com uma metralhadora atrás do policial que nem sapatos tinha mais pra andar...


SEN-SA-CI-O-NAL!!!
E bota casca grossa nisso!!!

2 - ROCKY BALBOA & .... (quem não sabe o que é?)
(Rocky 3, O Desafio Supremo - Sylvester Stalonne, 1982)

Falem o que quiser do Stalonne, mas é fato que ele é responsável por dois ícones mór do universo pop: Rocky Balboa e Rambo!
Dois caras ex-tre-ma-men-te fodões....

Lembro bem de um general russo respondendo de forma brilhante uma pergunta a repeito do Rambo no terceiro filme, depois dele ter desarmado 3 bombas relógios, matado 200 russos, destruído uns 10 tanques de guerra e explodido um batalhão inteiro (piadinha que depois roubaram de forma descarada, mas nem por isso injusta [?], pro Chuky Norris):
"- Que esse Rambo pensa que é? Deus??"
"- Claro que não.... Deus teria piedade!"
(CLAP - CLAP CLAP - CLAP CLAP CLAP)

Tá... mas o mais fodão do Stallone pra mim sem dúvida é o Rocky Balboa! Além do cara lutar de guarda baixa, apanhando a luta toda só pra cansar o adversário até o 10º assalto (!!!), existem duas cenas que constituem o treinamento MAIS FODA da história do cinema (isso pra nem citar o absurdo dele ter ganho do russo "The Dragon" [?] no 4º filme depois de ter treinado arrastando troncos de arvore, levantando arados na neve, etc.):

- A primeira é no Rocky I, onde depois de correr milhares de km's, o cara vai lá, quebra 3 ovos num copo, toma na mora puro... dá um SENHOR ARROTO, e sai pra treinar mais (dá vontade de ir alguma academia na mesma hora - mas sem a parte dos ovos, admito) [?]
- A segunda é MUITO clássica - Rocky 3: Já morto o Miiiiiiickkkkkk, o Rocky começa a treinar com o ex-adversário Apollo, o Doutrinador (eu adoro esse codinome!!!) [?]. Dai pra frente mto treino ao som da trilha sonora mais do que clássica.... fato é que eu vejo isso dá vontade ir fazer qualquer atividade física... aliás, NÃO HÁ CORRIDINHA NA PRAIA em que não venha direto na cabeça a cena do filme.... principalmente dele superando o Apollo e (literalmente) correndo pro abraço na água. Tá: eu sei que é TOTALMENTE TRASH.... mas ao mesmo de uma genialidade incomparávell!!!! Se eu fosse técnico de qualquer coisa que fosse, virava top só por mostrar vídeo em toda sessão motivacional... coisa de macho fodão e não se discute!
E agora o "momento MAIS MACHO" da história do cinema (pelo menos na opinião desse blog):

1) MAXIMUS DECIMUS MERIDIUS & muito mais do que um simples cartão de visitas
(Gladiador - Ridley Scott, 2000)

Combinação perfeita: O CARA MAIS FODÃO feat. momento mais apropriado impossível para ele demonstrar que é justamente O CARA MAIS FODÃO!

Principal General Romano... Escolhido pelo Imperador para levar Roma à República após sua morte... traído pelo filho-assassino Imperador... preso... fugitivo e tornado escravo.... de escravo, tornado gladiador... de gladiador, à pop-star do Coliseum no sistema "panis et circense".... e, daí por diante, inalcançável pelo próprio Imperador - pelo menos em público!
A propósito, é seguida exatamente a mesma lógica (brilhante) de outro clássico da antiga Roma - Spartacus (principalmente o livro do Howard Fast) que mostra a consequência de se tornar o mito maior que o homem... e daí a grande sacada do filme que não o torna simplesmente mais um filme de ação qualquer...
Mas vamos lá:
Depois de "estreiar" no Coliseum, acabando com a tentativa da organização do evento em reconstituir uma batalha vencida por Roma contra os Bárbaros, ao trucindar (literalmente e quase sozinho) 4 conjutos de bigas romanas... virando alvo da curiosidade do Imperador, ao qual dá as costas em flagrante ato de desrespeito ao quase-divino "césar"... tirar a máscara e soltar uma fala que vai ser lembrada pro restro da história, não é pra qualquer um.

SIMPLESMENTE G-E-N-I-A-L de tão FODA que o cara se mostra na cena:

Cara... eu já o filme pelo menos uma dezena de vezes... e toda vez que tá passando de novo, acabo preso no canal só por causa dessa cena. É de arrepiar!!!
E não supreende a cara do Comudus tremendo na base na cena.... não dá pra acreditar que um troglodita como o Maximus foi se tornar, na pele do mesmo Russel Crowe, o inofensivo (pelo menos fisicamente) John Nash em outra oportunidade....

Ora, "MAXIMUS DECIMUS MERIDIUS"... e com um nome desse, há o que discutir?

domingo, 16 de dezembro de 2007

Parcerias, Camaradagem & Cia.

Se tem algo legal na atual onda hip hop-pop [fora o fato de (quase) ter criado um novo estilo de música comercial - algo que, convenhamos, tem bastante méritos porque tudo que é comercial costuma ser a cópia da cópia da cópia] é ter tornado algo absolutamente normal as parcerias...
Claro que todo o show bussines envolve interesses e [milhões] de dólares por trás... mas dá quase pra imaginar que está mais normal do que nunca um artista ligar pro outro e bater um papo mais ou menos do tipo "e aí? vamo fazer um som?", "cara... tenho uma base irada aqui.... preciso de uma letra" ou "a tua voz é extremamente necessária pra música ficar boa".
Em um universo midiático onde qualquer um que chega no seu disco platinado ganha status de ser diferenciado dos "simples mortais" e se afastando do convívio, digamos, social - e se isso tem um certo charme, entres os males certamente está o confinamento e a falta da troca de experiências impedindo até mesm um upgrade na produção artística - ver esse povo montando parcerias e trabalhando junto têm dado em muita legal.
Se agora tá comum esse tipo de parceria, até pouco tempo imperava o isolamento. Era difícil ver produções conjuntas... tanto que as que apareciam marcavam terreno na memória logo de primeira.
Umas por ser um momento único, outras pela qualidade da obra que delas derivou... vai aí uma listinha de algumas parcerias recentes [algumas nem tanto] que antecederam a onda atual e que são simplesmente sensacionais:

QUEEN & DAVID BOWIE

Até gosto, mas não chego a ser o maior fã tanto do Queen quanto do Bowie...
Agora, essa música....
é daquelas que tem que constar obrigatoriamente em todas as listas de melhores de todos os tempos!
Parece até que são várias músicas dentro da mesma... já começa com um dos riffs que veio se tornar um dos mais famosos da história [quem não lembra do Ice - Ice Baby?] [?]
O primeiro "Pressure" acompanhado pela bateria - após a introduçãozinha com os "un boom ba ba bay" já é de ARREPIAR... e assim vai por cada outro segundo da música.... a letra também é sensacional!
Parceria que reergueu o Queen que muitos davam como acabados... é legal porque ninguém lembra muito que o Bowie tá ali junto [apesar da voz quase inconfundível]. Só confirma a teoria de que apesar de ícone fashion, celebridade mór e não sei mais o que, musicalmente é um dos artistas mais discretos que eu conheço, tanto que as músicas do cara sempre acabam indo virar mega-sucesso na voz de outros [que o diga o Nirvana e o Wallflowers]...


BEN HARPER & JACK JOHNSON

Essa aí destoa, porque os caras vivem fazendo parcerias... não só entre eles, mas até com quem manda um simples e-mail pra eles [a história da parceria Ben Harper & Vanessa da Mata é demais!].
Nada mais natural, afinal os caras são muito mais brothers do que propriamente dois artistas de primeira linha.
Como eu já disse, parceria entre eles não falta... mas essa aí é a melhor de todas disparado!!!
Eu tenho muita inveja de quem tem NBC em casa, já que pode tar com controle remoto na mão passando canais despretenciosamente e... de repente... dar de cara com algo assim! Mais inveja, só de quem tava presente ali no estúdio...
É impressionante como a voz dos caras tem um tom totalmente diferente, mas que fecha perfeitamente por causa disso... só voz, violão base e aqueles dedilhados do Ben Harper que ele faz como se tivesse tocando um piano.... pra finalizar, uma música do Bob! Isso que é querer e poder montar um momento pra ser lembrado!
Até ver isso, eu tinha uma teoria [daquelas montada com com amigos em mesa de bar - claro] de que o Lenny Kravitz era o único cara no mundo que conseguiria a mulher que queria... e pior: merecido! Bastava tocar no violão It Aint OverTill Its Over que ela já taria se jogando pra ele! [uma hora rola aqui no blog uma lista das top five "músicas pegadoras"] [?]
Depois desse programa da NBC, teve que ser reformulada a teoria pro bicho começar a dividir o posto com esses dois outros caras...

BOB DYLAN & ROLLING STONES

O Brasil é um país interessante....
Somos uma periferia do mundo e o eterno "país do futuro" - título do qual gostamos justamente para postergar a resolução de vários problemas para um "futuro"... coisa de quem não quer se incomodar agora [e provavelmente, depois também não].
Só que de outro lado não tem como negar que há algo de especial nesse lugar do mundo... que faz algumas coisas acontecerem só aqui.... e é isso que nos passa a sensação de ter algumas características que nos diferenciam do resto da periferia do mundo e renova a esperança de realmente almejarmos uma melhor condição pra frente!
E é essa coisa meio que "surreal" que existe no nosso ar que nos proporciona alguns momentos únicos, como esse acontecido no Maracanã em 1998 - Rolling Stones & Bob Dylan dividindo o mesmo palco tocando "Like a Rolling Stone". Acostumados a ver a História [essa com letra maiúscula mesmo] ocorrer sempre em outros lugares, é um daqueles momentos em que vemos o resto do mundo babar pelo o que acontecia aqui.... momento histórico da cultura pop em terras brasileiras!

BOB MARLEY & LAURYN HILL
Uma das coisas que mais me impressionam na história [póstuma] do Bob é o baú que ele deixou... o cara era simplesmente uma máquina de fazer músicas! Sua produção criativa possibilitou o lançamento de dezenas e dezenas de discos quando era vivo, e ainda possibilita, volta e meia, o lançamento de um single inédito...
Levando em conta ainda as remasterizações de músicas que eram um tanto quanto obscuras em outros cds, dá pra dizer que a [grande] família Marley ainda tá com a vida garantida durante mais umas 10 gerações pelo menos só com a grana que o patriarca ainda vem rendendo depois de mais de 25 anos mortos e que muito ainda renderá...
Aliás, alguns grandes sucessos dos filhos que seguiram carreira artística, também são composições do velho... Aí se encaixa a Lauryn - que dá pra ser considerada da família já que é casada com um dos [quantos serão - uns 12?] Marley's Jr.
Seria uma mera chupação da obra, se não fosse o talento dela... não só como cantora, mas música & produtora!
Consegue dar um upgrade absurdo na música... deixar ela com ar mais atual do que nunca! Reagge raiz com a cara do século XXI!
Aliás, se hoje ritmos baseados na música negra norte-americana tanto sucesso faz pelo mundo, muito disso é devido à Lauryn Hill que conseguiu dar uma roupagem pop pro R&B ali no finalzinho da década de 90.... ou seja, ninguém melhor pra montar um dueto - póstumo - com o Rei!

BRYAN ADAMS & MEL C

Tá aí a prova de que a "união faz a força".
Bryam Adams - pra mim - sempre foi sinônimo de baladinha grudenta... Mel C, bem... é uma Spice Girl e isso dispensa comentários a respeito de fazer um som que marque pela qualidade!
Mas juntos, é música pop da qualidade!



O RAPPA & MARIA RITA
Tava faltando uma nacional, né?
Ok! A clássica pra mim é a Tom & Elis em "Águas de Março" - momento histórico da música nacional.
Mas vamos aqui continuar previligiar o lugar de onde mais saem parcerias na música nacional - o projeto "Acústico" da MTV.

Já rendeu algumas parcerias sensacionais - basta lembrar Paralamas & Zizi Possi e Capital Inicial & Zélian Ducan. Só os Titãs, tem 3 onde uma é melhor que a outra: Marisa Monte, Fito Paez e Jimmy Cliff (a escalação do acústico dos caras foi moral demais)!

Mas essa do Rappa é perfeita! Eles substituem os elementos eletrônicos da versão original da música - e que tornavam ela demais - pra dar lugar ao vozeirão da Maria Rita [e o sangue da família continua presente mesmo abdicando da parceria em "Águas de Março" citada ali em cima].

A propósito, é daquelas atuações que valem pela mistura de som & imagem - a música perde muito quando só escutada, o que comprova o carisma dos dois vocalistas e a química perfeita que rola entre eles! A capelinha do final, se realmente ou não improvisada, dá um toque mais que especial!

NELLY FURTADO & CHRIS MARTIN

Tá... essa já é fruto da onda de parcerias que assola [?] o mundo!

Mas é que é uma parceria até mesmo inusitada da Nelly Furtado e que produziu uma música simplesmente perfeita!

[Ok! Eu admito que a quedinha que eu tenho pela Nelly - principalmente na versão franjinha (?) - ajuda bastante ela fazer parte dessa lista] [?]
O dueto com o vocalista do Coldplay fazendo quase que só a segunda voz é realmente classe A! Só que aí apareceu a gravadora dele pra acabar com a festa: há a lenda que a música foi vetada por ela porque o bicho aparentemente "aparecia pouco" - se foi isso mesmo, é um dos maiores furos que uma gravadora já deu.... porque a versão proibidona [?] "no prelo" ficou conhecida de todos porque caiu na internet e ainda serviu como divulgação da versão oficial só com a Nelly [já de franjinha (?)]...