ão! 6 estrelas:vista para o mar de uma praia paradisíaca. Tudo do bom e do melhor. Pedaço do paraíso em terra...
O destino quis que você ficasse com aquele chalé! Você merece estar ali! Tem talento pra isso... existem motivos.
Aquele ali é o SEU LUGAR!!!
Só que a porta esta fechada...e lá dentro está alguém cuja missão é tornar acessível a chave apenas para quem o destino tenha apontado como o dono do chalé. A tarefa dele, no caso, é abrir o chalé para você!
Sabe Matrix Reloaded?Então... você é predestinado e ele é o chaveiro!
Sacou?
Mas há uma diferença: o chaveiro daqui, não sabe previamente que você é o predestinado.
Como não adianta ficar parado, que ele não vai abrir a porta, lhe restam duas formas para entrar: Pode tocar a campainha, aguardar a boa vontade do "chaveiro" em se levantar, se dirigir até a porta e soltar um "quem é?".
Após você se identificar e apresentar suas boas razões para entrar, inevitavelmente ele fará um juízo de valor se abre ou não. Levando em conta a sua boa-educação em tocar a campanhia e aguardar pacientemente, conjugando com o "curriculo" que você alega tar na identificação, há uma boa chance de você ser aceito a entrar.
Claro... se isso for conveniente para o chaveiro (talvez para se livrar do karma - ou empreguinho chato, como queira - de esperar o predestinado) e se você estiver disposto a aceitar certas condições que ele te imponha (afinal, porque não para ficar com aquele lugar?)!
A outra forma?Ah... tá fechada? Pare, respire, faça uma cara de "saco-cheio" e sem pensar mto: ENFIE O PÉ NA PORTA!Passinho pra dentro...
Ok! Você entrou... sem precisar esperar qualquer avaliação se você é ou não o cara que merece! Afinal, o próprio destino que te escolheu pra ficar com o chalé, e não é o BABACA do chaveiro que vai te impedir ou impor condições. Você já deu a enteder que aquilo ali é seu só pelo fato de entrar sem que ninguém precisasse abrir a porta. Fato é que, por uma forma ou por outra, você está dentro.
Diferenças?
No primeiro caso, há o chaveiro com uma puta boa vontade de que você comprove ter todo o talento que alegou ter para estar ali no chalé. Ele te dá tempo pra provar... você ganha mais segurança para estar ali. Só que depende do chaveiro... afinal, você entrou PORQUE ELE QUIS e está submetido, por isso, às CONDIÇÕES QUE ELE QUIS.
Na outra hipótese, corre o risco dele te botar pra correr. Mas, desconfiando que você não está ali por acaso (afinal, não é qualquer um que enfia o pé na porta)... mais a conveniência dele poder tirar pelo menos umas férias daquele empreguinho, pode mto bem rolar um diálogo mais ou menos assim:
- Ok! Deixo você ficar se for me mostrando que ter arrombado a porta e exigido seu lugar não foi apenas um surto de talento.
- Esse lugar é meu... óbvio que tenho talento pra ficar, senão não teria sequer entrado sem pedir.-
- ...vais ter que me provar isso sempre. Ah... e as condições são as seguintes [...]
- Que condições? Tá maluco? Esse lugar me cabe por força do destino... nao é você que pode condicionar!
[momento de silêncio]
- Tá bom, você fica... mas vou ser impaciente: primeira pisada de bola que me faça julgar que você não é o predestinado, te coloco pra fora na hora!
- Não precisei de força nenhuma sua para entrar... não preciso para continuar.
Mais uma vez em qualquer uma das duas hipóteses, há de chegar a hora em que o chaveiro se convença que realmente você é o predestinado ou, do contrário, que não é.
Convencido, ele se aposenta.
Você comprovou que o chalé é seu independentemente dele querer ou não.
Não se convencenso, ele TE aposenta.
Depois de te festejar o suficiente (possibilitando uma férias para ele - o chaveiro), te manda passear e fica à espera de outro que chegue se afirmando dono do chalé.
Pegou a historinha? Então trasporta ela agora...
Substitui:
O chalé vira a CONDIÇÃO DE ÍDOLO;
O chaveiro vira a "GRANDE" IMPRENSA e, por tabela, a OPINIÃO PÚBLICA;
A aposentadoria do chaveiro vira a ENTRADA PARA A HISTÓRIA.
Vamos exemplificar com dois personagens do domingo da última semana:
Na hipótese do "tocar a campainha" você tem um Felipe Massa.
Entrou no chalé com o prévio aval do chaveiro.
Mesmo assim, não mole é convencer o chaveiro de que não precisa mais dele para se afirmar como o predestinado dono do chalé.
Tem tempo... tem crédito... tem uma boa dose de talento para demonstrar que aquele lugar lhe cabe. Mas o chaveiro tá te usando para pegar umas "férias"... aproveitando que o cara tá ali pra não precisar ficar à espera do predestinado. Corre o risco dele enjoar do ócio, deixando então a situação de ser conveniente para ele.
Assim, pode muito bem te colocar para fora do chalé. Fez isso com o antecessor Rubinho Barrichelo...
É verdade que ambos entraram no chalé mais por força do próprio chaveiro do que por vontade própria, mas o fato é que usufruem do lugar se esbanjando com tudo de bom que ele oferece.
Mas há uma venda da alma para o chaveiro para estar onde estão... aceitam suas condições: "Se comportem assim", "Estejam sempre disponíveis", "Respondam isso", "entrevista aqui", "participação especial acolá"
Do outro lado imagina o Guga Kuerten... (ufa! achei que nunca ia conseguir chegar aqui)
Na história do esporte brasileiro, sem dúvida o maior "PÉ NA PORTA" que eu já vi! Aliás, um dos maiores do mundo...
O pobre do chaveiro só foi se dar conta que ele existia quando a porta já tinha voado longe... quando viu, o cara já tava jogado no sofá da sala!
Não construiu carreira aos olhos da imprensa e do grande público.A gente nunca precisou ouvir uma chamada irritante tal qual "vai começar a temporada de Tennis... vamos torcer pelos brasileiros" esperando (ou até torcendo) que um dia, quem sabe, a tal torcida desse certo.
O cara simplesmente apareceu pro mundo ganhando Roland Garros! Apareceu JÁ DANDO certo. De ilustre desconhecido, assumiu a condição de ídolo instântaneo....
Um ídolo que não foi construído... ele entrou no chalé sem pedir licença pro chaveiro. Não precisou que o chaveiro movesse uma palha (ok!: ou virasse uma chavedo ) para assumir seu lugar.
Assim, não deveu nada pro chaveiro... Inverteu as posições: não era ele que precisava do chaveiro, mas este que precisava dele!
E isso que faz do Guga, muito mais do que um dos maiores jogadores de saibro da história - dono do talvez mais memorável backhand - mas sim um símbolo do que se deve ter como ídolo numa era em que eles são fabricados por atacado e, em 99% dos casos, com prazo de validade: ser o melhor, mas sem deixar de ser ELE MESMO.
Não precisou se submeter às condições do chaveiro para permanecer no chalé. Não só entrou, como permaneceu ali por conta própria. Aquilo que a gente vê na TV é autêntico. Aquele Guga é simplesmente ele mesmo! É o que ele é! Não é uma imagem feita pela impresa... não é uma imagem construída pelo Guga à pedido/mando da imprensa. Ele era assim quando apareceu pro mundo, e assim permaneceu durante esses 11 anos que esteve no centro do palco...
Até por isso, talvez não tenha sido uma unâminidade... e o próprio reconhecimento tenha ficado aquém do que realmente deveria ser. Talvez não exista compreensão do que exatamente ele representa!
Mas pra ele é indiferente... chegou onde chegou sozinho, e não precisa da unâminidade para que, à luz dos fatos, se reconheça que o feito é sensacional!
É preciso lembrar que uma coisa é surgir um Nadal na Espanha, entre os outros tantos top's no saibro que eles produzem... outra bem diferente é surgir um bom tenista no Brasil, onde literalmete o cara tem que se fazer surgir sozinho. Que dirá então surgir alguém que algum dia passe da condição de ídolo à... MITO!
O fato é que nesse domingo - 25 de maio de 2008 - não foi nem o Guga, nem o chaveiro que se aposentaram... FOI O MANEZINHO QUEM APOSENTOU O CHAVEIRO!
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