Três ou mais pessoas reunidas para um mesmo fim merecem sempre atenção! Não importa qual o objetivo comum, se voltado para o bem ou para o mal - ou para outro lado qualquer nesse mundo multi[?]polar - fato é que a medida que se faz algo de forma sociabilizada, a dimensão disso para o mundo se torna sempre maior.
Adendo: Duas pessoas não é necessariamente uma forma sociabiliazada de se fazer algo, até porque duas podem ser, muitas vezes, uma só =)
Essa é a primeira impressão do show do Radiohead (Chácara do Joquei - São Paulo - 22.02.2009): é impressionante
o astral que se cria quando há 3 ou mais pessoas - no caso umas 30mil - juntas para ouvir aquilo que normalmente se escuta SOZINHO em casa. A cumplicidade que se cria é sensacional!!! É como se um olhasse pro outro e ficasse supreso: "meu, tu tb conhece essa música???". Coisa de sentir-se menos "Creep"... ou então, cercados de vários deles... heheheSobre o show? Impecável! Set de primeiríssima... o entrosamento da Banda é algo sobrenatural - não dá pra saber como que aquelas músicas complexas e de construção tão detalhista saem das mãos daqueles 5 caras ali na hora... Tudo isso de um som com uma nitidez de um home theather + cenário/iluminação de palco queeeeee... falta o adjetivo, porque era realmente indescritível.
É verdade que faltou "No Surprises" [a "obra-prima da interseção entre o universo pop e o erudito dos anos 90" - numa definição... hummm.. minha mesmo - é uma música que merece um post próprio ;) ] mas alguns momentos foram totalmente fora do padrão: o início de "There, There" literalmente arrepiou, acho que eu nunca tinha sequer imaginado tanta "pegada" num show do Radiohead com a guitarra do Tom York cercada por dois tambores. Segunda música... o suficiente pra dizer que todo o stress pela (falta de) organização, cansaço e aperto para ficar perto do palco, tinha RE-AL-MEN-TE valido a pena.
Porque o ápice? Ora, acabou "Paranoid Android" e o público todo continuou com o coro hipnotizante de "raiiiinnnn downnnnn, rainnnn downnnnn.... come on raiiiinnnn downnnnnnn" e o Tom Yorke começa a improvisar uma segunda voz em cima.... sensacional! Pela gritaria ao fim, dava pra sentir que tava todo mundo realmente emocionado... e então eis que é emendada a maravilhosa "Fake Plastic". Se olhava em volta, não era um, dois ou três.... era um MAR de gente indo às lágrimas. Sério: momento único e inesquecível mesmo!
Estranho como as músicas se encaixam... o Radiohead é uma banda que rompeu com seu próprio estilo. "Ok Computer" [1997] é um marco, e algo que é absolutamente aceitável é se falar que, no show, houve a emenda do clássico mór da era pré-Ok com os clássico mór da era pós-Ok.
E foi SÓLIDA, CONSISTENTE E COERENTE!!!
Nessa hora que a gente vê que não se tratou de uma guinada de estilo, mas um aperfeiçoamento do mesmo... tiram-se os samplers, tira-se a psicodelia, tira-se todo experimentalismo da fase pós-Ok e o Radiohead continua a ser a banda das belas melodias melancólicas&angustiantes que era até "The Bends" [1995]. E essa lógica, agora no modo inverso, também funciona - colocam-se aqueles elementos nas belas melodias e, pronto: temos o Radiohead psicodelico, experimental, mas sempre, melancólico&angustiante.
E ai está o ponto em que eu queria chegar: por mais que goste e admire tudo o que esses caras fizeram de Ok Computer pra cá... e considere músicas como "Paranoid Android", "Everything In Its Right Place" e "15 Step" A-B-S-U-R-D-A-M-E-N-T-E boas... meu Radiohead preferido é aquele em que ele se torna, novamente, uma banda "clássica" com voz, violão, guitarras e bateria! Às vezes com um discreto teclado.
Logo, como não poderia deixar ser, "The Bends" é meu álbum preferido. E as músicas dos discos póstumos que mais gosto, são justamente as que remetem ao estilo "The Bends". Assim, não deixa de ser um pouco frustante saber que você vai no show de uma banda que você gosta tanto e não vai ouvir "High and Dry" - sua música preferida deles e tranquilamente umas das 20 melhores que já ouviu na vida... "The Bends"? Vai sair uma, no máximo duas músicas...
No problems, afinal o show continua demais! Entendo perfeitamente a opção artística da banda em executar coisas mais recentes e condizentes com o espírito atual dela - o problema aqui é eles não terem vindo uns 15 anos antes...
A propósito, isso me lembra uma frase do Robert Smith do The Cure que li há quase uns 10 anos... era algo do tipo: "pretendo acabar a banda em dois ou três anos porque não consigo me imaginar com 40 anos cantando 'Boys don't Cry' assim como fizeram e ainda fazem os Stones com 'Satisfacion'". Acidez e quebra de palavra à parte - porque a banda não acabou e provavelmente continuam tocando "Boys don't Cry" - dá pra entender a linha de pensamento...
Enfim... se teríamos pouca coisa da fase Pré-Ok... o que eles tocariam? Algo só para agradar o público?
Se também tinha essa finalidade, evidentemente não era a única... até porque o Radiohead sempre se lixou para o que se espera deles. A opção tinha, sem dúvidas, viés artístico!!!
E sobrou para qual música?Justamente "Fake Plastic Tree": talvez a baladinha mais lenta de "The Bends" e que foi totalmente adaptada para integrar um show condizente com a fase pós-OK!
A segunda parte da música executada, atualmente, É DE CAIR O QUEIXO.... você tem no centro Tom Yorke fazendo a voz e violão base... aquela tristeza das palavras sendo exprimidas pela voz MAIS melancólica do Rock no acompanhamento de uma batida de violão lenta e simples, rodeado por duas guitarras que simplesmente em NADA (!!!) - pelo menos, aparentemente - acompanham o que se desenrola no centro! Os instrumentos são totalmente "maltratados" pelos instrumentistas... como se quisessem tirar deles um grito agudo, um som cortante, um arranhão aos ouvidos. Fica clara a veia psicodélica e experimental do Radiohead tomando conta da música de "The Bends".
O resultado? PERFEITO!!! É como se as guitarras, "chorando&gritando" [?], potencializassem a dose de angústia que sai da balada cantada e tocada pelo Tom Yorke!!! A música fica mais linda do que nunca...
É só vendo para conferir:
A conclusão? A forma como vem sendo executada "Fake Plastic Trees" só comprova que do Radiohead não se pode falar em rompimento, não se pode falar em troca de estilo, nem se falar em "fases"... a ESSÊNCIA está toda ali, é exatamente a mesma!!! Desde o já longícuo 1993 com "Pablo Honey" até o último "In Raimbows". O que (trans)muda são os elementos satélites... algo extremamente necessário para, assim como aconteceu com os Beatles, quando, depois de algum tempo, analisando de fora, definir como uma OBRA!!!
É só vendo para conferir:
A conclusão? A forma como vem sendo executada "Fake Plastic Trees" só comprova que do Radiohead não se pode falar em rompimento, não se pode falar em troca de estilo, nem se falar em "fases"... a ESSÊNCIA está toda ali, é exatamente a mesma!!! Desde o já longícuo 1993 com "Pablo Honey" até o último "In Raimbows". O que (trans)muda são os elementos satélites... algo extremamente necessário para, assim como aconteceu com os Beatles, quando, depois de algum tempo, analisando de fora, definir como uma OBRA!!!

Um comentário:
Cara, que merda que eu perdi o show. Apesar de não ser um grande fã da banda, acredito que deva ter sido bom pra cacete mesmo...
Só achei meio estranha a passagem das pessoas chorando... Você exagerou ou o Radiohead é uma banda pré-EMO??
Fiquei assustado... Espero que no show do Oasis as pessoas não chorem ao som de Wonderwall...
Abraço!
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