domingo, 12 de agosto de 2007

Filme I - Vanilla Sky

Vamos começar brincando de advogado do diabo:
O que já falaram mal desse filme... o que tem de gente que não suporta...

Masssss, é um dos meus preferidos. Já vi por baixo umas 8 vezes (o que um mês de estréia no Telecine coincidindo com greve da facul faz...), sei boa parte de cór e cada vez que vejo de novo me empolga novamente!

A verdade é que há filmes que você vê por causa do cineasta e não pelo filme em si. Os filmes deles têm uma ligação entre si, que acabam por formar uma obra maior. Assim acontece com o Cameron Crowe... se vai pro cinema ou pra frente da TV não pra ver "Jerry Maguire", "Tudo Acontece em Elizabethtow", "Quase Famosos" ou "Vanilla Sky"... se vai porque sabe-se que lá está um filme do Crowe, o que por si só garante diversão porque é certo que lá vão estar determinados elementos (cores vivas, trilha sonora de primeira, frases de efeito e uma quase obsessão pela cultura pop), mesmo com histórias tão diferentes de um filme para outro.

Então...

Vanilla Sky, de 2001

Basicamente, Tom Cruise é David Aames, um playboyzão podre de rico, único herdeiro de um mega-grupo de comunicações. Além de boa pinta e de dirigir uma Ferrari GTO 250 (de módico valor de mercado de U$$ 15 milhões - sim, fui procurar na internet); mora no Dakota Building (ahã, se o Jonh Lennon vivo estivesse, seriam vizinhos de porta); é tipo do cara que decora a sala com uma guitarra quebrada - presente do Pete Townshend, do The Who - exposta num quadro, é fã de Radiohead, pinta ele mesmo sua prancha de Snowboard, tem festa de aniversário frequentada por gente como o Spielberg e volta e meia resolve dar um rolê pelo apartamento com alguma privilegiada, para mostrar um Monet pendurado em outro cômodo. Enfim: David é o cara MAIS Tom Cruise do mundo vs. TODO LEGAL.


Em sua festa de aniversário, apaixona-se à primeira vista pela personagem da Penélope Cruz - Sophia (é incrível a capacidade do Crowe em produzir personagens femininas apaixonantes), aos olhos da sua "parceira de cama", ninguém menos que a Cameron Diaz, ou Julie Giani, que não gosta nem um pouco.

Pois bem, depois de uma noite digna de um "prolong pleausures" (Como eu adoro isso! Tem horas que eu acho que poderia ter escrito partes desse filme...), David entra no carro de Julie Giani, no qual toca o cd de... JULIE GIANI (ohhhh!!!). Alterada pelos ciúmes, ela joga o carro de uma ponte (Isso tudo durante o refrão "I Fall Apart" de sua própria música - nada mais apropriado), se matando. David sobrevive, mas fica com uma cara de Orc' do Senhor dos Anéis e com um braço e postura que lembraria o Stephen Hawking... caso ele andasse [?]. (ok, agora peguei meio pesado na metáfora! Mas vamos em frente...)
Desfigurado, depressivo, sem Sophia e perdendo o controle sobre os negócios, David começa não mais saber o que é sonho e o que é realidade, estando inclusive prestes a ser condenado por assassinato. O Filme, de comédia româtica acima da média, passa pra drama e no fim, pasmem, dá uma guinada pra ficção cietífica (!), recheado de flahsbacks, tudo na forma mais pop possível como tudo que o Camerow Crowe faz.

- Ok! Eu sei que é uma refilmagem de um filme espanhol ("Abra Los Ojos", de 1997) recente, com uma plastificação hollywoodiana feat. Tom Cruise e blá blá blá. Masssssss, como foi o Cameron Crowe que botou a mão, não tem como não ser no mínimo interessante.

- Aliás: INTERESSE! É o que o filme desperta logo de cara... primeiro porque - nota até quem não entende NADA de fotografia (meu caso) - a imagem é maravilhosa e o colorido parece mais vivo do que nunca. Segundo porque a SEQUÊNCIA INICIAL com a desesperadora "surrealidade" de uma Time Square deserta é simplesmente DEMAIS!!!

["surrealidade" entre aspas mesmo, já que esvaziar sabe-se lá quantos quarteirões em Manhattah deixa de ser surreal quando se tem a força de alguns milhões de dólares e a influência de um sobrenome Cruise]
[A propósito, como fizeram pra bancar o fechamento da 5ª Avenida no "Advogado do Diabo" antes do Keanu Reaves ter se tornado o Neo?]
[ok! Fugi do tema]

- Claro que não precisa de uma fotografia boa para deixar a Cameron Diaz e a Peneloppe Cruz lindas, mas nesse filme ambas aparecem mais gatas do que nunca. E a Cameron detona: além de se arriscar cantando (e é legal), faz cara de louca, arregala os olhos e solta uns sorrisos psicóticos com aquele bocão que chega realmente a assutar!

- Uma das grandes sacadas do filme é a idealização pelo David da vida perfeita: Ele & Sophia sob um onipresente Céu de Monet - ou céu cor de baunilha, da definição "cor que não tem nome" Venice Twilingth - Claude Monet

dada pelo David (daí o nome do filme). Pura verdade que "ninguém pintou o céu como ele" - numa das dezenas de tiradas boas do filme...


No maior estilo Cameron Crowe, a tradução dessa vida sonhada pelo David é justamente a capa do álbum Freewheelin', do Bob Dylan - que, fui reparar lá pela 4ª vez que assisti, tem o poster pendurado no quarto do David, o que então passa a dar todo o sentido ao sonho.

- Cameron Crowe = Trilha Sonora. E a trilha de Vanilla Sky é a top entre os filmes do Crowe. Eu tenho a impressão que ele escolhe uma música DO NADA pra colocar no filme, e a partir de então monta uma cena pra ela, invertendo completamente o processo. E tem horas que o casamento cena-música sai tão, mas tão perfeito, que parece criar uma confusão nos sentidos: é possível acreditar que se esta escutando a cena e vendo a música. Tem uns momentos sensacionais:
  • O que é o David cantando "One Of Us" numa maca ao caminho da cirúrgia?
  • Genial "Good Vibrations" no momento em que tudo passa a fazer sentido pro David quase no final do filme!
  • "Directions" do Josh Rouse. É muito a cara de música pra trilha sonora de 1ª Classe!

- Agora, fora de qualquer padrão, é a cena (malditos copyrights que permitiu tirarem quase tudo do filme do youtube) em que supostamente (sonho? realidade? pesadelo?) o David mata a Sophia (ou seria a Julie?) enquanto transavam. Numa sequência de 3 ou 4 músicas sobrepostas, eis que os ânimos se acalmam e lá está a mulher (recém-defunto) com o travesseiro com o qual foi sufocada ainda sobre o rosto... e o David desesperado em saber quem era começa tirar o braço que está pouco acima do seio da mulher a fim de conferir a identidade por meio de uma pinta que a Sophia tinha naquela região.Neste momento está tocando a maravilhosa "We Can Still Be Friends" do Todd Rundgren... dai, primeiro a ironia de estar o algoz & corpo frente a frente, enquanto o som sugere "podemos continuar sendo amigos" ... segundo a ge.ni.a.li.da.de da música ditando a cena: a cada acorde de piano/teclado (1'30" do clipizinho do youtube ali em cima), o David vai baixando um pouco mais o braço... e mais um acorde, e baixa mais... até o momento do "Lá lá lára... Lá lá lára..." sincronizando com a revelação. Só vendo a cena pra ter a exata noção, mas pra mim é quase como ver um gol de placa em final de copa do mundo!


- Se tem filme do Cameron Crowe, tem óbviamente música de qualidade e.... claro, frases de efeito!!! A cada sequência, lá vem uma frase meticulosamente colocada pra marcar na nossa cabeça... parece até técnica de livro de auto-ajuda [a Claire, de Elizabethtow, mesmo, ganharia fácil a vida dando palestras motivacionais] mas tudo cheio de ironias e com ingredientes Pop que faz disso sempre uma das partes mais legais dos filmes deles:

  • "Esse sorriso vai ser o meu fim..." [David, fotografando - pra quem viu Elizabethtow, vai enteder o "fotografar" no vocabulário Cameron Crowe - o rosto de Sophia]
  • "Na outra vida... quando formos gatos" [Sophia, na melhor forma de se dizer um "não agora"]
  • "Strap shoes, red dress, i think she is the saddest girl to ever hold a martini" [Sophia sobre Julie - essa só fica legal em inglês mesmo]
  • "Every passing minute is another chance to turn it all around" [Sophia, mas também poderia ser Claire (Elizabethtow) ou Pennylane (Quase Famosos)... enfim, coisa de mulheres do Crowe]
  • "Dois deles são gênios..." [Sophia, sensacional ao opinar sobre a prancha pintada pelo David "exposta" ao lado de um Monet e de outra tela pintada pela Joni Mitchell (Como alguém vai pensar numa tela pintada por uma cantora/poeta canadense dos anos 60? Sério, o Crowe é totalmente doente!)]
  • "O mel nunca é tão doce sem o fel, e é preciso saber oq é o fel, pra se apreciar o mel" [Brian, amigo LOSER de David. Mel/Fel são beeeemmm mais legais do que sweet/sour hehe]
  • "Open your eyes" [Ah, um despertador Julie Giani...]
  • "Antes eu gostava mais do John, hoje prefiro o Paul" [Puxada de saco através do Psicanalista de David, já que o Paul fez uma música pro filme - que por sinal se chama Vanilla Sky]
  • "Então foi isso que restou do rock'n'roll? Uma guitarra quebrada, atrás do vidro, pendurada na parede de um ricaço?" [Sophia - fazendo a gente enteder o porque do "David Vida Perfeita" se apaixonar à 1a vista]

Pois é, isso é só cinema de Cameron Crowe, but I like...

10 comentários:

Unknown disse...

Cara você foi ótimo ao fazer esta defesa do filme. Fiquei com vontade de assistir. antes estava com medo embora já estejamos em 2008 ...

Unknown disse...

Cara, que isso !!!
Nunca encontrei nada igual a esse post. Maravilhoso isso, não se trata apenas de um filme, quem se identificou com Vanilla sabe bem o que é ler tudo isso. Parabéns por mil anos cara. abraços

Lindsey disse...

vanilla sky é o tipo de filme que quando termina voce fica nostalgico... deixa as letrinhas do cast rolarem até o final ouvindo a trilha sonora, meio que inconcientemente na intenção de prolongar as emoçoes que o filme traz... é muito bom...

Silvania Cristine disse...

Oi...

Nossa amei sua defesa, adoro Vanilla Sky, já vi esse filme muitas vezes e pra mim nunca é demais!!! E quero dizer que te amo, pois, graças a vc, eu descobri a música que Tom Cruise canta na maca. Eu procurei a trilha sonora do filme e nunca achava essa música, valeu, obrigada, obrigada, obrigada!

Unknown disse...

Simplesmente, thanks a lot...

Anônimo disse...

oW oW oW, mtttttto bom msm cara, foi o melhor post q li sobre Vanilla Sky, se der certo vou usar no meu seminario.....
flws

Taissa Ta disse...

Nossa, você escreve muito bem. Fez a descrição do Vanilla que eu sempre quis fazer, na minha vida inteira. Parabéns.

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Texto sensacional!

Rafael disse...

2017 e ainda vejo e gosto demais desse filme, talvez seja porque acredito no sonho lúcido.